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Napoleão de Ridley Scott tem 10 erros históricos surpreendentes que estão a dar muito que falar

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“Napoleão”, o novo filme de Ridley Scott, já estreou nos cinemas e é um verdadeiro épico cheio de história… mas com alguns erros.

Napoleão Bonaparte (1769-1821) tornou-se uma figura incontornável da história ao liderar os franceses durante a época da Revolução, um período que se caracterizou pela instabilidade do país. Por um curto período de tempo, o estadista foi ainda coroado como Imperador, um cargo que desempenhou até ser enviado para exílio na Ilha de Santa Helena, um território governado pelos britânicos. Ao longo das cinquenta décadas da sua existência, Napoleão fez importantes reformas que mudaram a Europa e o mundo e tornou-se num dos maiores Generais Militares da história da humanidade. Porém, a sua vida foi preenchida com grandes controvérsias que marcaram a sua imagem.

Apesar de ter morrido há mais de dois séculos, Napoleão Bonaparte regressou agora para voltar a reinar, pelo menos no grande ecrã. Ridley Scott é o responsável pela produção de “Napoleão“, o novo filme biográfico que conta a história do líder dos franceses. Com Joaquin Phoenix no papel principal, a longa-metragem épica foi gravada em menos de setenta dias e mostra algumas das batalhas mais decisivas da carreira de Bonaparte. Além da vertente militar, o biopic apresenta também um lado mais humano (e caricato) do Imperador, mostrando o seu romance falhado com a Imperatriz Josephine.

napoleao 10 filmes a nao perder nos cinemas ate ao fim do ano 2023
© Big Picture Films

Apesar de a longa-metragem ser uma verdadeira enciclopédia histórica no que diz respeito a Napoleão Bonaparte e ao seu percurso militar, existem erros e imprecisões quanto a alguns factos apresentados por Ridley Scott…



NAPOLEÃO ‘VEIO DO NADA E CONQUISTOU TUDO’?

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© Big Picture Films

No cartaz do filme de Ridley Scott é possível lermos o slogan “Ele veio do nada… e conquistou tudo“, mas esta visão conquistadora de Napoleão Bonaparte não corresponde propriamente à verdade. É um facto que o Imperador da França atingiu feitos bastante notórios no que toca ao seu percurso militar. Ainda assim, importa relembrar que Bonaparte não nasceu num meio pobre, pelo contrário. Napoleão era descendente da nobreza italiana que se mudou para a Córsega, tendo nascido e crescido numa casa palaciana. Aliás, Carlos Bonaparte, o pai de Napoleão era um advogado que representou a Córsega na corte de Luís XVI.

Quanto àquilo que Napoleão conquistou, não podemos considerar que tenha sido tudo aquilo que havia desejado. Podemos afirmar que o Imperador venceu cerca de 90% das batalhas em que participou, mas isso não chegou para conquistasse todos os territórios que queria. O exemplo mais proeminente é o da Grã-Bretanha, um dos territórios mais cobiçados pelo exército de Napoleão, mas que nunca foi ganho por eles, vendo-se obrigados a pôr fim ao conflito com a assinatura do Tratado de Amiens.



NAPOLEÃO PARTICIPAVA EM TODAS AS BATALHAS?

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© Big Picture Films

No filme de Ridley Scott, Napoleão Bonaparte é retratado como um verdadeiro guerreiro e líder que se junta aos seus soldados para enfrentar os inimigos nas batalhas em que participam. Porém, vários têm sido os historiadores que têm vindo a público refutar esta imagem do Imperador Francês, uma vez que Napoleão jamais se envolvia com com os seus batalhões. Por norma, o General costumava ficar mais atrás da batalha, assumindo uma posição mais vigilante, salvaguardando-se assim que qualquer perigo físico. A única vez que o líder militar se colocou em perigo foi antes do Cerco de Toulon, num momento em que fora ferido por uma baioneta, tendo sobrevivido.

Ao mesmo tempo, o heroico Napoleão é retratado como um hábil cavaleiro, mostrando-se imponente quando anda a cavalo. Porém, o Imperador não chegou a concluir o seu treino de equitação militar, pelo que se havia tornado num cavaleiro meio desastrado, sem grande habilidade nesta área. Da mesma forma, de modo a ocultar esta falha, Napoleão optava por cavalos de raça menos tradicionais, evitando por completo os puro-sangue. Como tal, a cena de “Napoleão” que mostra o Imperador a guardar uma bala que atingira o seu cavalo não é também factual, uma vez que o Governador não tinha um apego a estes animais assim tão grande.



O EXÉRCITO DE NAPOLEÃO DISPAROU CONTRA AS PIRÂMIDES DO EGITO?

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© Big Picture Films

O grande objetivo de Napoleão era conquistar a Grã-Bretanha, mas para isso seriam necessários meios dos quais o seu exército ainda não dispunha. Como tal, e numa tentativa de chegar também ao Médio Oriente, o Imperador planeou uma invasão ao Egito, com o intuito de definir uma rota comercial para a Índia Britânica. Durante a guerra, o exército de Napoleão participou na Batalha das Pirâmides, um acontecimento nomeado pelo facto de a Grande Pirâmide de Gizé ser visível à distância.

Contudo, no filme de Ridley Scott, os soldados de Bonaparte são vistos a disparar contra as Pirâmides do Egito, o que não corresponde à realidade. Na verdade, Napoleão era um grande apreciador da história egípcia, pelo que jamais destruiria um monumento importante como este. Ainda assim, esta divertida cena vai de encontro a um velho mito que afirma que fora o exército do General quem destruiu o nariz da Esfinge.



O DUQUE DE WELLINGTON TERIA CONHECIDO NAPOLEÃO?

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Napoleão Bonaparte esteve no poder durante uma centena de dias, liderando a França enquanto Imperador. Ao mesmo tempo, o General continuava a esforçar-se ao máximo para conseguir conquistar a Grã-Bretanha. Como tal, numa tentativa de abrir uma brecha no exército britânico, os soldados de Napoleão afastaram-se para a atual Bélgica, local onde se desenrolou a famosa Batalha de Waterloo, aquela que poria fim ao reinado de Bonaparte.

Apesar de os britânicos serem liderados por Arthur Wellesley, mais conhecido como Duque de Wellington, Napoleão não se terá cruzado com o líder da Grã-Bretanha como mostra o filme de Ridley Scott. Na verdade, os dois se terão visto, muito provavelmente, apenas na Batalha de Waterloo. Além disso, o Imperador Francês jamais pisou solo britânico, o que torna a cena da longa-metragem irreal.



NAPOLEÃO TERIA ASSISTIDO À MORTE DE MARIA ANTONIETA?

Napoleão Ridley Scott
©Big Picture Films

Napoleão Bonaparte tornou-se Imperador da França graças aos feitos realizados após a Tomada da Bastilha que conduziu ao fim da Monarquia Francesa. Na altura, o militar liderou várias revoluções que foram surgindo num período de profunda agitação social, o que fez dele o homem indicado para governar o país. Ao mesmo tempo, a Rainha Maria Antonieta era conduzida à guilhotina, de modo a pôr fim à Família Real Francesa e condenar os seus membros pelo que haviam feito com o seu povo. No filme de Ridley Scott, Napoleão assiste ao momento de execução da Monarca. Porém, nessa altura, o líder militar estaria a participar no Cerco de Toulon, localizado a 800 km de Paris.

Além disso, no momento de execução de Maria Antonieta apresentado no filme, a Rainha da França, interpretada por Catherine Walker, surge com uma atitude confiante e desafiadora, o que não corresponde à realidade. Segundo historiadores, a Monarca estaria vulnerável e bastante triste, uma vez que o seu marido, Luís XVI, havia sido morto meses antes e o filho fora obrigado a virar-se contra ela. Mas existem outras imprecisões históricas, nomeadamente a cor do vestido usado por Maria Antonieta no momento da sua execução. A Monarca fora obrigada a usar um vestido branco, a cor usada pelas viúvas na altura, e não vestes pretas como mostrado na longa-metragem. Também o facto de a Rainha surgir com cabelos longos no filme mostram uma imprecisão, uma vez que o seu cabelo havia sido rapado antes de Maria Antonieta ser conduzida à guilhotina. Além disso, a Monarca foi executada na Praça da Concórdia e não no Palácio das Tulherias como mostra o filme.



JOAQUIN PHOENIX, UM ATOR DEMASIADO VELHO?

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© Big Picture Films

O ator Joaquin Phoenix nasceu em 1974, tendo atualmente 49 anos de idade. Apesar de o percurso do ator ser admirável, a verdade é que Phoenix é demasiado velho para dar vida a Napoleão Bonaparte, pelo menos considerando o momento em que se desenrola a ação. Na verdade, quando aconteceu o Cerco de a Toulon o líder militar tinha apenas 24 anos, praticamente metade da idade de Joaquin Phoenix no momento em que gravou a longa-metragem. Ao mesmo tempo, quando Napoleão comandou o Exército Italiano possuía apenas 27 anos, tendo sido coroado Imperador aos 35 anos de idade.

Além disso, Vanessa Kirby, que dá vida à Imperatriz Josephine, tem 35 anos de idade, sendo 14 anos mais nova que Joaquin Phoenix. Porém, na vida real, a esposa de Napoleão era seis anos mais velha que o líder militar, razão pela qual a mulher não conseguiu dar filhos ao marido. O facto de a Imperatriz ser mais velha explica também a atitude mais imatura e ingénua de Napoleão perante o seu relacionamento, um facto amplamente esquecido no novo filme de Ridley Scott.



NAPOLEÃO BONAPARTE TERIA AGREDIDO JOSEPHINE?

Napoleão
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Josephine de Beauharnais havia casado primeiramente com Alexandre de Beauharnais, com quem teve dois filhos, Eugénio e Hortência. Porém, quando a futura Imperatriz se casou com Napoleão tinha já 33 anos, pelo que nunca conseguiu dar ao General nenhum descendente. Tendo a sua reputação em risco, Bonaparte concordou com a esposa em divorciarem-se, na expectativa de encontrar uma mulher que lhe desse um herdeiro. No entanto, os dois amavam-se profundamente, pelo que seria impensável que Napoleão agredisse Josephine como é mostrado no filme de Ridley Scott na cena em que os dois se divorciam.

Além disso, Josephine de Beauharnais nasceu no seio de uma família humilde produtora de canas de açúcar. Numa tentativa de colmatar as necessidades económicas dos seus familiares, a tia de Josephine entregou a mão da sua sobrinha mais velha a um aristocrata francês. Por sua vez, a irmã de Josephine faleceu, obrigando a futura Imperatriz a casar-se com o francês. Quando Josephine ficou viúva, apaixonou-se perdidamente por Napoleão e só aí conseguiu atingir um estatuto de verdadeira riqueza como ambicionava desde muito nova. Como tal, jamais a Imperatriz pensaria em pedir o divórcio a Napoleão como sugere o filme de Ridley Scott.



A MÃE DE NAPOLEÃO FORÇOU-O A TER UM CASO?

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©Big Picture Films

Letizia Bonaparte é a matriarca da família de Napoleão, uma mulher que, tendo enviuvado com apenas 34 anos de idade, conseguiu tomar conta do clã, governando-o com austeridade e bravura. Sendo descendente de uma família de classe média com algumas ligações à aristocracia, casou-se com o pai de Napoleão com apenas 14 anos, tendo dado à luz uma dúzia de filhos. Quando se viu com baixas economias em sequência da morte do marido, o seu filho Napoleão salvou-a da miséria ao entrar para o serviço militar, o que fez dele o ‘menino de ouro’ da sua mãe.

Como tal, Letizia não nutria qualquer simpatia por Josephine por considerar que esta havia roubado Napoleão da sua família. Mas na longa-metragem de Ridley Scott, esta desaprovação por parte de Letizia foi mostrada de forma um pouco irrealista. No filme, a mãe de Napoleão tê-lo-ia forçado a ter relações sexuais com outra mulher para verificar se o filho seria infértil. Na vida real, este procedimento não seria necessário uma vez que era sabido que Napoleão possuía vários filhos ilegítimos.



QUANTAS PESSOAS MORRERAM NA BATALHA DE AUSTERLITZ?

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© Big Picture Films

Em 1805, o Czar Alexandre I da Rússia e o Imperador Francisco II uniram-se numa coligação que resultou numa aliança entre o Império Russo e o Sacro Império Romano-Germânico. As nações juntaram-se para combater o exército de Napoleão na Batalha de Austerlitz. O conflito armado durou nove horas e, apesar da desvantagem numérica, Napoleão saiu vitorioso do combate, tornando-se numa das maiores vitórias da sua carreira militar.

No filme de Ridley Scott, um grande número de soldados do exército de Napoleão morre congelado no lago de Austerlitz, atual República Checa. Porém, vários historiadores refutam a existência deste massivo lago. Na verdade, a zona teria apenas pequenos lagos, que foram posteriormente drenados por Napoleão. No decorrer da drenagem, foram encontrados alguns corpos de soldados, mas não em grande quantidade como mostra a longa-metragem.



OUTRAS INCOERÊNCIAS HISTÓRICAS

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© Big Picture Films

Após a ida do exército francês para o atual território da Bélgica, deu-se a famosa Batalha de Waterloo, a guerra que pôs um ponto final no Império criado por Napoleão Bonaparte. Contra a França estavam sete nações que se opunham ao Governo de Bonaparte, sendo elas o Reino Unido, Países Baixos, Prússia, Hanôver, Nassau e Brunswick. O confronto militar ocorreu em junho de 1815 e pôs fim ao período conhecido como Governo dos Cem Dias.

No filme de Ridley Scott, numa das cenas da Batalha de Waterloo, é visível uma bandeira belga. Porém, na altura do conflito, o território pertencia aos Países Baixos. Da mesma forma, a bandeira atual da Bélgica apenas foi criada em 1831, dezasseis anos após a famosa Batalha.

Já assististe a “Napoleão” de Ridley Scott? Que outros erros históricos detetaste na longa-metragem?


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